Formação de Bote Baleeiro Açoriano reúne mais de 40 participantes em Vila Franca do Campo
1 de Julho de 2026
A Associação de Classe do Bote Baleeiro Açoriano (ACBBA) promoveu, nos dias 27 e 28 de junho, uma Formação de Bote Baleeiro Açoriano, realizado nas instalações do Clube Naval de Vila Franca do Campo, que reuniu mais de 40 participantes provenientes de vários clubes da ilha, associações e da comunidade em geral.
A adesão superou as expectativas da organização, confirmando o crescente interesse da comunidade pela prática do remo e da vela em Bote Baleeiro Açoriano.
A iniciativa integra a estratégia da ACBBA de promover a cultura marítima e baleeira dos Açores através da valorização do Bote Baleeiro Açoriano enquanto património cultural vivo e embarcação de excecional aptidão para o remo e a vela tradicionais. O objetivo passa por construir competências na comunidade, formar novos praticantes e criar as condições para que um número crescente de pessoas possa usufruir plenamente do potencial desportivo, cultural e patrimonial destas embarcações.
As sessões foram orientadas por Filipe Fernandes, da ilha do Pico, amplamente reconhecido pela sua vasta experiência na navegação e operação de botes baleeiros açorianos. Ao longo de dois dias, partilhou generosamente conhecimentos técnicos e práticos adquiridos ao longo de mais de duas décadas de dedicação a estas embarcações tradicionais.
O programa conjugou sessões teóricas e práticas, abordando a história e evolução do Bote Baleeiro Açoriano, as suas características construtivas, os princípios de segurança, bem como as técnicas de remo e de vela, culminando com exercícios no mar que permitiram aos participantes aplicar os conhecimentos adquiridos.
As atividades práticas decorreram a bordo do SENHORA DE FÁTIMA (SG-98-B), um bote construído em 1946, nas Capelas, para a Armação Baleeira de Cristóvão da Mota Soares e atualmente classificado como Património Baleeiro Regional. Depois de servir a atividade baleeira na ilha Graciosa, foi abandonado, adaptado à pesca e, mais tarde, transformado em balcão de um bar.
Em 2010, a TERRA AZUL – Azores Whale Watching, empresa de observação de cetáceos sediada em Vila Franca do Campo, adquiriu o bote e promoveu a sua recuperação integral, respeitando os planos e técnicas construtivas originais. Desde então, o SENHORA DE FÁTIMA regressou ao mar, onde hoje está ao serviço da comunidade, sendo disponibilizado gratuitamente para atividades de remo, vela, formação e divulgação da cultura marítima e baleeira dos Açores, no âmbito do projeto de responsabilidade social que a empresa desenvolve há 16 anos.
A expressiva participação confirmou o crescente interesse pelo Bote Baleeiro Açoriano e pelas modalidades que lhe estão associadas, reunindo pessoas de diferentes gerações e níveis de experiência, desde novos praticantes a remadores, velejadores e timoneiros mais experientes.
Para a Presidente da ACBBA, Neuza Azevedo, “a transmissão destes conhecimentos é essencial para garantir o futuro do Bote Baleeiro Açoriano enquanto verdadeiro património cultural vivo. Formar novos praticantes, aperfeiçoar técnicas e colocar cada vez mais botes no mar é a melhor forma de preservar este legado único e transmiti-lo às próximas gerações.”
A ACBBA agradece a Filipe Fernandes pela disponibilidade, generosidade e paixão com que partilhou a sua experiência; à Câmara Municipal das Lajes do Pico, pelo apoio concedido através do projeto “Bota-te”; ao Clube Naval de Vila Franca do Campo e à sua Secção do Bote Baleeiro, pela cedência das instalações e pelo apoio logístico; e aos parceiros da Associação, TERRA AZUL – Azores Whale Watching, principal patrocinador da ACBBA e entidade que disponibiliza gratuitamente o SENHORA DE FÁTIMA à comunidade para o desenvolvimento de atividades desportivas, culturais e formativas, e à Agência Melo Travel, pelo apoio permanente às iniciativas promovidas pela Associação.
Esta entidade acredita que o futuro do Bote Baleeiro Açoriano depende da sua utilização regular no mar e da capacidade de envolver novas gerações de praticantes. Nesse sentido, encontra-se atualmente a recuperar mais dois botes históricos — VELOZ e SANTA MADALENA — que, juntamente com o SENHORA DE FÁTIMA, permitirão reforçar a frota disponível em São Miguel, ampliar significativamente as oportunidades para a prática do remo e da vela tradicionais, aumentar a capacidade de formação e consolidar a valorização da cultura marítima e baleeira dos Açores.
Perante o sucesso desta edição, a ACBBA pretende dar continuidade à realização de workshops e outras iniciativas de capacitação, contribuindo para que o Bote Baleeiro Açoriano continue a afirmar-se como um património cultural vivo, preservado através da sua utilização no mar, da transmissão do conhecimento e da participação ativa da comunidade.
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